INFORMATIVO SOBRE SURDOCEGUEIRA E DMU
Para entendermos a
diferença entre Surdocegueira e DMU (Deficiência múltipla), faz-se
necessário esclarecermos a grafia de surdocegueira que segundo
Lagati (1995) trata-se de:
“uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado surdas; que indica uma condição que somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo.”
A
surdocegueira é uma deficiência única em o
indivíduo apresenta ao mesmo tempo
perda da visão e da audição.É considerado surdocego a pessoa que
apresenta estas duas limitações, que não faz diferença o grau das
perdas auditiva ou visual.
A
surdocegueira pode ser de origem congênita ou adquirida e não pode
ser chamada de deficiência múltipla. Segundo (AEE/DM,2010), as
pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdas e se
tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos antes de
terem aprendido alguma linguagem.
Deficiência
Múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma deficiência, “é
uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de
pessoas, revelando associações diversas de deficiências que
afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o
relacionamento social” (MEC/SEESP,2002).
As
pessoas com deficiência múltipla apresentam características
específicas, individuais, singulares e não apresentam
necessariamente os mesmos tipos de deficiências, podendo apresentar
cegueira e deficiência mental, deficiência auditiva e deficiência
mental, deficiência auditiva , autismo entre outras. Ou seja, com
necessidades únicas.
Quais
as necessidades básicas desses alunos
A
pessoa que nasce com surdocegueira ou que se torna surdocego não
recebe informações sobre o que está a sua volta de maneira como é,
verdadeira, ela precisa de mediação de comunicação para poder
receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca, além
de demonstrarem dificuldades de observar, compreender e imitar o
comportamento de familiares ou de outros que venha fazer parte de seu
cotidiano devido a combinação de perdas visuais e auditiva que
apresentam.
Seu
conhecimento do mundo que a cerca se faz pelo uso dos canais
sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico e
outros.Por outro lado, as necessidades
básicas de uma pessoa que apresenta DMU, diz respeito ás
necessidades físicas e médicas, necessidades emocionais,
educativas, sensorial e de comportamento social.
Na
deficiência múltipla não
há garantia de que todas as informações chegam para a pessoa de
forma verdadeira, tal como é, mas ela sempre terá o apoio de um dos
canais distantes (visão ou audição) como ponto de referência,
esses dois canais de informações são responsáveis pela maioria
dos conhecimentos que vamos adquirindo ao logo da vida.Além
de: o desenvolvimento da imagem corporal, conceito corporal,
consciência sensorial, adequação postural, harmonia dos
movimentos, coordenação viso-motora, motora global e fina,
desenvolvimento da força muscular, interação com o mundo social
entre outros.
Comunicação
Tanto
as pessoas surdocegos e com deficiência
múltipla necessitam de formas específicas de comunicação para
terem acesso a educação, lazer, trabalho e vida social, sendo
respeitadas em suas individualidades e dignidade. O conhecimento das
habilidades e dificuldades de comunicação apresentadas por pessoas
surdocegos podem dar suporte para as políticas públicas na criação
de medidas que procurem melhorar seu acesso á comunicação,
informação e assim a sua autonomia.
Para
favorecer a comunicação de pessoas
com surdocegueira e/ou com DMU dividimos a comunicação em Receptiva
e Expressiva, para favorece a eficiência tanto na transmissão
quanto na interpretação.
A
comunicação Receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a
informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita,
fala, Libras, etc). A informação pode ser recebida por meio de uma
pessoa, rádio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de
outras fontes e formas. No entanto, a comunicação Receptiva requer
que a pessoa que está recebendo a informação forme uma
interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou e
tentou passar.
A
comunicação Expressiva necessita de um comunicador (pessoa que se
comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação
Expressiva pode ser realizada por meio de objetos, gestos, movimentos
corporais, fala, escrita, figuras entre outros.
Para
iniciar o processo de aquisição da comunicação faz-se necessário
o uso de estratégias e alternativas de comunicação, garantindo a
aluno com DMU e surdocego poderem expressar suas habilidades, dúvidas
e necessidades. Para isto, é necessário a criação de um canal de
comunicação como gestos, sons, expressões faciais e corporais.
Além de uma rotina organizada, onde a
caixa de comunicação (caixas, cestos e outros objetos) podem ser
usados como primeira estratégia no caso das crianças. Bem como, os
calendários que podem ser utilizados para o desenvolvimento no
ensino de conceitos temporais abstratos e na ampliação do
vocabulário, além de favorecer o desenvolvimento da noção de
tempo e auxilia a criança a compreender rotinas.
Vale
ressaltar que, as estratégias utilizadas para a aquisição da
comunicação inicia-se com objetos de referência, tangíveis
(concreto) para o abstrato (língua oral, escrita e de sinais).
REFERENCIAS
BRASIL.
Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar:
Surdocegueira e Deficiência Múltipla –
v.5. Brasília: MEC/SEESP/UFC, 2010.


