Educação Escolar de Pessoas com Surdez –
Atendimento Educacional Especializado em Construção
A
história sempre nos remete a refletir e entender os fatos atuais, onde o
presente nunca está desconectado ao passado, que esse caminho é importante para
ser visto como um processo. Nessa tentativa, procuramos fazer uma síntese de
todo esse percurso da educação das pessoas com surdez tomando como base teórica
Damázio, para termos uma visão geral do rompimento do embate político e
epistemológico entre gestualistas e oralistas no processo histórico da Educação
Escolar das pessoas com surdez.
Fazer
uma retrospectiva da história da educação da pessoa com surdez não é uma tarefa
que seja considerada das mais fáceis, pois se trata de uma história de idas e
vindas, de proibições e permissões.
Percebemos
que a surdez esteve presente em todas as comunidades etnográficas e culturais.
No entanto, as necessidades das pessoas com surdez, em geral, não foram e nem
estão sendo percebidas pelos ouvintes, talvez isso aconteça pelo fato de a
surdez não ser algo que os incomodem diretamente como a marginalidade e a
violência. Diante desta realidade, a pessoa com surdez acaba por ser ignorada.
Gostaríamos
ainda de refutarmos as três tendências subjacentes à educação das pessoas com
surdez (Oralismo, Comunicação Total e Bilinguismo).
Podemos
perceber que a linguagem é a primeira barreira que o aluno com surdez encontra
quando chega à escola comum, e a falta de uma língua comum entre surdos e
ouvintes, além de dificultar a interação e a comunicação, prejudica também o
aluno com surdez na construção do conhecimento.
Sabemos
que a nova política de educação no Brasil vem passando por mudanças, mas que
precisam ser revistas e algumas tomadas de posições e bases epistemológicas
precisam ficar mais nítidas, para que as práticas de ensino e aprendizagem na
escola comum tanto na pública como na privada apresentem caminhos consolidados
para a educação da pessoa com surdez.
Segundo
Damázio, “a atenção deve estar centrada, primeiramente, no potencial natural
que esses seres humanos têm, independente de deficiência, diferença, limites ou
mesmo do marcador surdo.” Devendo ser criados ambientes desafiadores e propício
a educação destes. Em segundo lugar, a mesma autora afirma que: “o foco deve
ser a transformação da escola e de suas práticas pedagógicas excludentes em
inclusivas.” A mesma afirma que, é nesse contexto que se autentica a construção
do Atendimento Educacional Especializado ao dizer:
O
AEE PS , na perspectiva inclusiva, estabelece como ponto de partida a
compreensão e o reconhecimento do potencial e das capacidades desse ser humano,
vislumbrando o seu pleno desenvolvimento
e aprendizagem. As diferenças desses alunos serão respeitadas,
considerando a obrigatoriedade dos dispositivos legais, que determinam o
direito de uma educação bilíngue, em que Libras e Língua Portuguesa escrita
constituam línguas de instrução no desenvolvimento de todo o processo educativo
(DAMÁZIO, 2007, p.52).
Vale
ressaltar a importância do Atendimento Educacional Especializado em três
momentos pedagógicos (AEE em Libras, de Libras e para o Ensino de Língua
Portuguesa), para fornecer a base conceitual dos conteúdos curriculares
desenvolvidos na sala de aula, complementando o que esta sendo estudado.
Portanto,
acreditamos que a escola em todos os sentidos deve contribuir com a
transformação da sociedade, e nisso, se inclui a importância da inclusão
educacional de fato e de direito da pessoa com surdez, pois a vivência aliada à
experiência de conviver com as diferenças, no âmbito escolar irá habilitar
todos os alunos a interagirem democraticamente na sociedade na qual estão
inseridos. Devendo, o Atendimento Educacional Especializado ser oferecido como
complementação à sala comum, focando o desenvolvimento pleno da aprendizagem da
mesma, por meio de Libras e da Língua Portuguesa escrita.
REFERÊNCIAS
DAMÁZIO, M. F. M.;
FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas
com Surdez- Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista
Inclusão: Brasília: MEC, v.5, 2010. P.46-57.
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